UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO
FACULDADE DE FILOSOFIA LETRAS E CIÊNCIAS HUMANAS
HIGOR NOGUEIRA SOUZA* nº USP: 8983190
INTRODUÇÃO A FILOSOFIA I
PROFS: CAETANO PLASTINO e MARCUS SACRINI
MONITOR: GUILHERME DINIZ
O PRINCÍPIO FUNDAMENTAL HUMEANO ACERCA DA ORIGEM DAS IDEIAS FRENTE AO CAP II INVESTIGAÇÃO SOBRE O ENTENDIMENTO HUMANO
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* Tema: ''Dissertação realizada como objetivo o objetivo de propor uma análise acerca do pensamento de David Hume. ''*
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Resumo: Acerca da investigação sobre o entendimento humano, analisaremos separadamente as questões de fato e sua causa para, no fim, mostrar como se articulam em seu princípio fundamental em sua obra.
Palavras-chave: razão -- experiência-- afecções.
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¹ Estudante de graduação no 8ª semestre de Filosofia pela Universidade de São Paulo** **
SAO PAULO, 2019
* ''A razão é e deve ser somente escrava das paixões''. David Hume*
* -- Hume, investigação sobre o entendimento humano.*
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INTRODUÇÃO
Este trabalho pretende apresentar possibilidades de relação entre a filosofia e as suas respectivas percepções no filósofo David Hume. Para tanto, propomos refletir sobre sua obra, abordando inicialmente suas Investigações sobre o entendimento humano, precisamente o capítulo II, utilizando-o como fonte interpretativa. Abordando seus principais assuntos sobre a origem das relações de ideias através das impressões. A partir da teoria das afecções irá procurar-se demonstrar como as ideias se firmam na mente do ser humano. Assim, iremos focar inicialmente na metodologia pelo qual o filósofo escocês se apóia para formular seu pensamento. Partindo para a noção de razão e de como esta afeta nossas afecções, retomando na conclusão como essa ideia de como o pensamento descrito por Hume pode ser descrito como subjetivo por certos criticos de sua obra.
MÉTODO INVESTIGATIVO DE HUME
É passível discorrer que David Hume foi um filósofo escocês que viveu no período de (1711-1776) e foi um dos principais filósofos da corrente de pensamento empirista moderna. Já que propôs que todo conhecimento parte e deriva dos sentidos, internos ou externos (como na visão de uma paisagem, sendo nossos sentidos totalmente receptivos as sensações ao seu entorno), opondo-se ao racionalismo cartesiano, que acreditava que o e conhecimento derivava da razão. O que na ótica Humeana as ciências exatas, ou seja, os pensamentos puramente racionais não seriam capazes do feito de nos levar a um conhecimento com grande exatidão, defendendo seu empirismo absoluto. Para abordarmos o que se propôs a descrever no seguinte texto, se faz necessário realizarmos uma investigação das relações de causa e efeito de Hume e seus respectivos fenômenos se desejamos analisar sua veracidade e se detém uma existência lógica com aquilo que o filósofo defende e fora proposto analisar.
Para Hume, no início do conhecimento, estão as percepções. Sua obra Investigação sobre o Entendimento Humano herda boa parte dos escritos de epistemologia: Hume procurou fugir do dito inatismo ao ser um empirista. Na referida obra sobre o entendimento humano, ele busca investigar o processo de compreensão pelo qual nos sujeitamos a qualquer informação em nossa mente, como se dão as ideias e como elas se relacionam e formam nosso modo de pensar. Sobre essa associação de ideias, a conexão empírica atua como uma forma de "elo" em nossas associações. Como já dito, o pensador escocês divide todas as nossas percepções em impressões, que são as percepções fortes e vivas, e ideias (ou pensamentos), que são as percepções mais fracas com menor grau de intensidade, hierarquizando-as.
Analisando as ideias por si só, notamos que qualquer ideia complexa (composta) é formada pela união de ideias simples, e estas, por sua vez, partiram de uma impressão anterior. A diferença entre uma ideia simples e sua impressão seria, dessa forma, o grau de impacto da mesma sob o indivíduo. Feitas estas distinções, Hume então aplica seu característico ceticismo sobre o próprio entendimento. Dá limites à capacidade de racionalização humana, como, por exemplo, nas relações de causa e efeito. Essas não podem ser descobertas pela razão, apenas pela experiência (atualmente, a ciência é a experiência que produz o conhecimento do que é natural). Somos levados a acreditar que podemos compreender os fenômenos que são próximos à nossa realidade, porém Hume considerava essa forma de pensar bastante ilusória. O conhecimento da relação de causa e efeito então, não seria, em nenhum caso, alcançado por raciocínios a priori e sim através exclusivamente dos sentidos. As questões de fato na obra de Hume não são adquiridas por meio de raciocínios a priori e sim por meio da experiência. Pois, como em suas palavras "Nenhum objeto jamais se revela pelas qualidades que aparecem aos sentidos". Exemplo seriam o das peças de mármore e a total ignorância do homem ao nunca ter visto e como se aderem uma a outra, pois como proceder se fossemos obrigado a descrever um fenômeno de determinado objeto se não tivéssemos visualizado como decorre seu efeito?
Hume ao reiterar e retomar seu argumento acerca da relação dos fenômenos naturais como a causa e efeito afirma que, todas as possíveis suposições acabam sendo coerentes e concebíveis. Como dito anteriormente , nossa mente não teria a capacidade de apenas exemplificar uma explanação por meio de um raciocínio tipicamente a priori. Logo, todo e qualquer efeito é distinto de sua causa e aqui se da a separação entre a causa e seus respectivos efeitos, e como as afecções atuam no plano sensível do indivíduo fornecendo-o o conhecimento necessário denominado por Hume de razão.
AS RELAÇÕES DE IDEIAS E AS QUESTÕES DE FATO EM HUME
No capítulo II da obra de Hume ocorre a denominada divisão dos objetos por em dois tipos: 1. As relações de ideias provenientes das áreas matemáticas como qualquer relação intuitiva e 2. As questões de fato, que são os fatos conhecidos pelo homem que evidencia e nos assegura que, qualquer existência ou fenômeno natural seja, uma existência real e uma evidencia factível que está para além de nossos sentidos. As relações de fato possuem uma relação de causa e efeito na visão do individuo, ou seja, toda a indagação feita acerca de algo como por exemplo onde se encontra tal sujeito haverá uma explicação e uma causa que explica tal situação.
Conforme recapitulamos, Hume no CAP II divide todas as nossas percepções em impressões, que são as percepções fortes e vívidas, e ideias (ou pensamentos), que são as percepções mais fracas. Agora, nota-se em seguida, que embora nada pareça mais ilimitado do que o pensamento, seu poder criador está restrito à composição, transposição, aumento e diminuição dos "materiais" fornecidos pela experiência ("externa" ou "interna"). E esses materiais são as próprias impressões. O filósofo escocês propõe, assim, como princípio fundamental, que todas as ideais sejam cópias de impressões. Para "prová-lo", Hume fornece dois argumentos: Quando submetemos nossas ideais a análise, vemos que sempre se compõem de ideias simples que foram copiadas de uma impressão precedente. (Isso dá conta dos aparentes exemplos de ideias complexas que, como a de uma montanha de ouro, não foram copiadas prontas de nenhuma impressão).
Importante ressaltar que existem muitos críticos da obra de Hume o classifiquem como um dos percursores do empirismo moderno através da suas relações de ideias e suas analises acerca das questões de fato como descritas. Porém o pensador inglês J.l Mackie classifica a filosofia de Hume como uma forma de subjetivismo. Ele alega que Hume supõe que uma atitude moral é uma questão de sentimentos e que os juízos são expressões de tais sentimentos. Alega também que Hume aceitou a visão segundo a qual a mente projeta os predicados morais sobre o cenário humano, que nas características morais atribuídas às ações, parte dos enunciados são fictícios, criados no pensamento pela projeção de sentimentos morais sobre as ações que são os objetos dos sentimentos.
CONCLUSÃO
Hume procurou demonstrar uma metodologia verdadeiramente racional, sobre como se dá a recepção das ideias descrita em sua obra. Fazendo de sua filosofia um questionamento abrangente sobre a metafisica. Sendo um dos filósofos mais importantes de sua época exatamente por essa forma de pensar: radical e totalmente avessa à filosofia cartesiana muito presente em sua época como descrito no decorrer do texto. Dessa forma, reiterando o que fora dito pelo filósofo acerca da filosofia fácil é o que aborda o homem como um ser ativo, voltado à ação, que procuraram influenciar a conduta humana através de exemplos práticos de virtude e vício por meio de recursos imaginativos. Frente à filosofia difícil ou complexa que se esforçava para formar seu entendimento por meio de estudos, sobre a natureza humana, e de uma operação da mente, de maneira mais objetiva. Hume criticou ambos as formas de pensamento mais precisamente no cápitulo II, propondo um meio termos entre elas aplicando seu característico ceticismo sobre o próprio entendimento. Dessa forma, Hume pode afirmar que todos os raciocínios parecem partir da relação de causa e efeito. Logo, considerando a argumentação exposta acima, faz-se impossível conhecer a realidade ou o princípio último sem obtermos o fundamento de todas as nossas conclusões advindas da experiência bem como suas respectivas relações. Sendo impossível dessa maneira, em sua visão, chegar a causa primeira de qualquer fenômeno. Isso nos permite verificar a grandeza do que fora proposta pelo pensador escocês ao procurar observar tal forma de pensamento inédita para sua época. Percebendo que é na voz deste filósofo em suas mais recônditas expressões, que se encontra o vigor do pensar originário e toda sua dimensão que viria influenciar filósofos com Immanuel Kant em seu modo de articulação do pensamento do indivíduo. ** **
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
- HUME. David. Investigação sobre o entendimento humano. São Paulo: Editora UNESP.
- Mackie, J. L. Ethics: Inventing Right and Wrong Londres: Penguin, 1977.

