Aristóteles
05 / EnsaioFilosofia

Aristóteles

Os conceitos de causa ou princípio como de ser primeiro e as noções epistêmicas de substância na Metafísica aristotélica

Sobre a oitava aporia e o problema do universal

Forma · Substância · Metafísica

OS CONCEITOS DE CAUSA OU PRINCÍPIO COMO DE SER PRIMEIRO E AS NOÇÕES EPISTÊMICAS DE SUBSTÂNCIA NA METAFISICA ARISTOTÉLICA

" Trabalho destinado ao desenvolvimento do fragmento presente em Aristóteles, metafisica 2. CAP III

4. (Discussão da oitava, nona, décima e décima primeira aporias)

Excerto analisado: (Oitava aporia) ¹

Há, depois, uma questão afim a esta, que é a mais difícil de todas e cujo exame é o mais necessário. Dela devemos agora falar. Se, com efeito, não existe nada além das coisas individuais, e se as coisas individuais são infinitas, como é possível adquirir ciência dessa multiplicidade infinita? De fato, não só conhecemos todas as coisas na medida em que existe algo uno, idêntico e universal.². ."

Resumo:

Palavras-chave: forma, substância, metafísica.

H

1 estudante graduação em Filosofia é graduando da 8ª semestre de Filosofia pela Universidade de São Paulo ****

****2 Aqui me apoiei no estudo pioneiro de Akkerman (1985). Utilizo aqui, para a referência às

obras de Espinosa, as convenções estabelecidas pelos Cadernos Espinosanos. À luz da

convenção, a referência desta nota é interpretada da seguinte maneira: [TTPPraef = prefácio do

Tratado Teológico-Político], [SO3 = Edição Gebhardt, tomo 3], [p. 5 = página 5], (1-9) = linhas 1 ****

SÃO PAULO

2019

INTRODUÇÃO

Para analisarmos melhor a passagem de Aristóteles do livro II metafísica, convém retomar sua passagem no livro I sobre a origem do conhecimento. Já que para o pensador nossa sabedoria não era mais vista para um fim utilitário específico, pois para Aristóteles todas as nossas necessidades triviais destinadas a fins básicos ao nosso bem-estar já tinham sido supridos, avançando o homem então neste novo caminho. Tal conteúdo se relaciona com a passagem em Metafísica III em que Aristóteles expõe a dificuldade que temos de obter o conhecimento e de que modo obter, sendo ambos caminhos tortuosos, havendo a necessidade do sujeito encontrar-se preparado previamente para saber divergir e classificar os diversos tipos de conhecimentos para então assimilá-los de uma maneira mais fácil. O filosofo Estagirita alega que aquilo do qual não estamos acostumados, (utilizando ele o exemplo da linguagem) não parece estar ao nosso alcance, soando de forma ininteligível e estranha, sendo o nosso " hábito " uma fluência mais presente em nós do que tais ditames impostos como leis sobre a imponência de algo novo, dos quais não nos sentimos adaptados a ele.

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¹ estudante graduação em Filosofia é graduando da 8ª semestre de Filosofia pela Universidade de São Paulo

Logo, a ciência como consequência de tal estudo acerca do ser, será uma tentativa, de fornecer uma justificação, de porque esta realidade contraditória se manifesta desta forma tentando conciliar com aquilo que se dá no mundo, sem também desconsiderar os princípios captados pelo intelecto. Para Aristóteles existe na gênese da ciência uma série de cadeias de causas ou razões que ligam de forma necessária os princípios que conseguimos obter por meio do nosso conhecimento sensível, evidenciando a isonomia e equivalente importância de ambos, tanto da ciência quanto da sensível. Aristóteles procura realizar uma distinção tanto da descrição, quanto da definição. Pois para ele as nossas instituições intelectuais captadas por meio do conhecimento sensível são de certa forma um ponto de partida, porém não pertencem a estrutura da ciência, não sendo seu objeto. Assim sendo , depois da exemplificação fornecida por Aristóteles , podemos abordar o que o mesmo descreve no Cap. III em Metafísica entre " A força de costume " , onde a linguagem se vê como o exemplo principal destacado por ele , em razão da grande importância que a palavra obtém na sociedade ateniense em que se destacavam os cidadãos nas assembleias que conseguiam transmitir informações da melhor maneira possível , sendo a palavra um saber científico , diferentes dos sofistas que consideram a linguagem incapaz de transmitir com rigor um conhecimento. Por sua ambiguidade inerente gerando diversas interpretações sendo viável não buscar ente os milhares de opiniões a mais verdadeira e sim a melhor forma de impor a sua opinião frente as demais.

Ora pelo exemplo de Descartes ao fundar o idealismo cartesiano contrapondo-se ao realismo do Estagirita ou Kant e os existencialistas do século XX que criticavam a metafísica sua forma de conhecimento superada, sendo puramente teórico e abstrato. Lidando apenas com ideias cegas para a realidade existencial de sua época, bloqueando a possibilidade de pensar a história e seu sentido inserindo-nos métodos classificatórios Aristóteles ainda mantém seu objetivo em formular uma explicação racional do universo, de sua ordem e finalidade totalmente desvinculada de qualquer viés religioso. Supondo uma liberdade do intelecto sendo seu percurso um caminho onde a obtenção do conhecimento provém de um trajeto elaborado e estruturado dos sensível (coisas) para o abstrato (ideia). Com o nosso processo intuitivo intelectual o começo e o fim desta linha de pensamento preenchida pelas cadeias científica e seus objetos.

NOÇÃO DE SUBSTÂNCIA COMO SER E FORMA PARA ARISTÓTELES

Para Aristóteles a explicação das coisas não deve ser buscada fora delas, mas procurada nelas mesmas. Não há necessidade de mundos ontologicamente distintos para explicar o conhecimento. Os universais têm o seu fundamento nas substâncias individuais. Entre estas substâncias, há as terrestres -- entre as quais o homem -- que são compostas de matéria e forma, "que não são coisas, mas princípios que não podem ser separados", e que, no caso do homem, correspondem ao corpo e à alma respectivamente. Não havendo que procurar a causa de sua unidade, pois "a matéria próxima e a forma são uma só e mesma coisa, mas de um lado, em potência, do outro, em ato". De modo que "procurar a causa da unidade da potência e do ato seria o mesmo que perguntar como o que é um é um, o que é uma questão absurda. Não é o corpo que existe, ou a alma, mas o corpo e a alma, ou, mais exatamente, o corpo animado", pois, "na realidade, a forma não é jamais uma substância, alguma coisa de real e definido.

É notável que a história da filosofia tem um grande espaço na análise da ideia de substancia e de que ela se originou primeiramente em Aristóteles. Em Aristóteles, ao contrato, tem em muitos casos pelo menos um sentido bem preciso e mais restrito. Esta palavra não significa simplesmente o ser, mas uma espécie de seres. Um gênero de ser. O primeiro e o mais importante de todos. Importante frisar a modificação utilizado mais amplo de sentido da palavra. Daquilo que é verdadeiramente real. Ele detém Aristóteles já produz uma categorização separando aquilo que detém substancia aquilo que não tem. Aristóteles se depara com um grande problema filosófico deixado por Heráclito e por Parmênides, o problema do movimento (mudança) do ser, das coisas, o ser se move, se altera ou permanece imóvel, idêntico? Segundo Heráclito, a mudança se dá de modo constante, tudo flui. Já Parmênides defende o monismo e o imobilismo do ser, de modo que este é considerado como imutável, indivisível e imóvel. Com a finalidade de superar as teorias e os problemas acerca do movimento e do imobilismo do ser, Aristóteles formula sua perspectiva -- até certo ponto, apresentada como uma síntese dos pensamentos heraclitianos e parmenídicos -- atrelada à sua compreensão da realidade sensível.

Para Aristóteles a dita forma que compõe a sua substancia, ou seja, seu ente não se limita a apenas suas características físicas. Mas inclui uma questão do que essa criatura faz e de como ela se comporta o que para Aristóteles tem implicações éticas. Para entender a ligação com a ética, precisamos observar que para Aristóteles tudo no mundo era explicado por quatro causas inteiramente responsáveis pela existência de algo. Causa material, ou de algo é feito, a causa formal, ou a disposição ou forma de algo, a causa eficaz, ou como algo é levado a existir e a causa final ou a função, objetivo de algo. E justamente este último tipo de causa que se relaciona a ética, um tópico que para Aristóteles não se encontra separado da ciência, mas é essencialmente uma extensão logica da biologia. Aristóteles forneceu o exemplo do olho: a causa final do olho (sua função e é ver) que é de ver.

A DISTINÇÃO DO SER EM ATO E POTÊNCIA NA METAFISICA

Deste modo, a distinção com relação ao ser é realizada: o ser é o que existe em ato e também o que existe em potência -- isto é, o que pode vir a ser em ato. O ser pode, pois, possuir determinadas características em um momento e outras características diversas em um momento diferente. Ademais, pode ser dito de vários modos: pode-se dizer o ser através das categorias, através do ato e potência, pela verdade e falsidade e também pelas quatro causas como ditas anteriormente. Com a finalidade de explicar o movimento que ocorre na natureza, o Estagirita utiliza-se das noções de ato e potência -- abordadas com profundidade no Livro IX da Metafísica de Aristóteles*.*

Ato e potência são apontados pelo filósofo como modos de ser divergentes e diferentes. Quando se diz que algo é em ato, diz-se que a coisa existe concretamente, existe em ato, diz-se que possui existência real.  Ao se dizer do ser enquanto potência, refere-se a algo que tem a capacidade de realizar sua existência, algo que tem a possibilidade de existir, embora não de modo necessário. Estes dois modos de ser prevalecem sobre todos os seres. O ser é tomado pelo filósofo como ato e/ou potência. É por essa concepção que se pode explicar a mudança das coisas: o pensamento de que as coisas deixam de ser ao mudarem é excluído por Aristóteles, já que, ao sofrerem as mudanças, o movimento a coisa passa de um modo de ser -- potência -- a outro modo de ser -- ato.

Com relação ao ato e potência, o ser existe de três modos:

1) pode existir enquanto ato, mas não em potência;

2) pode existir enquanto ato e enquanto potência;

3) pode existir enquanto potência, embora não em ato.

Estes modos trazem várias implicações, como:

1) ao existir em ato, mas não em potência, o ser existe necessariamente, de modo que não pode ser diferente do que é;

2) ao existir em ato e em potência, o ser existe necessariamente, todavia pode se tornar outra coisa com relação ao que é atualmente;

3) ao existir como potência, mas não em ato, o ser existe enquanto possibilidade e, assim, não existe de modo necessário.

Segundo Aristóteles, o que existe em ato não possui dois contrários concomitantemente, enquanto o que existe em potência pode contê-los ao mesmo tempo. Neste ponto, podemos notar que Aristóteles estabelece a tese ontológica de não-contradição, já apontada por Parmênides. A existência em ato é considerada determinada pelo Estagirita e a existência em potência é tida como indeterminada, posto que a passagem de potência à ato pode ou não ocorrer. De potência, a coisa vai em direção ao ato, pois este é o fim visado pela coisa que está em potência. Assim, o ser só pode atualizar-se com a condição de haver nele a capacidade potencial para tal ato, seja externa ou interna.

Há também outro ponto de diferenciação e oposição entre as noções de ato e de potência: o ato é concebido como princípio ativo determinante, e a potência é concebida como capacidade de realização, conforme apontou o Estagirita: "Chamo, por exemplo, construtor quem tem a capacidade construir, vidente quem tem a capacidade de ver, e visível o que pode ser visto. O mesmo vale para tudo o mais. De modo que a noção de ato, necessariamente, precede o conceito de potência e o conhecimento do ato precede o conhecimento da potência" (Aristóteles, Metafísica, IX (8), 1049 b 20). Para o filósofo, o movimento, a alteração das coisas se dá de modo teleológico, a saber, visando um fim. O ato é considerado o fim a ser atingido pela potência. Esta, por sua vez, existe visando seu fim, o ato, sendo a finalidade e o ser que visa alcançá-la opostos e diferentes.

ANÁLISE DA OITAVA APORIA DE ARISTOTELES

CONCLUSÃO

Deste modo, verifica-se que existem dois problemas com aquilo Tal filósofo adota uma distinção entre ser e existir, e ainda assegura que há coisas que são dotadas de ser, mas que não possuem a existência efetiva.

"O que perdura não é (...) o indivíduo, mas o semelhante a ele, não numericamente uno, mas especificamente uno" (grifo meu).

Parece ser este o estado da questão, no que diz respeito ao problema antropológico, no momento em que os filósofos cristãos retomaram sua reflexão. Não havia nenhuma preocupação, seja em Platão, seja em Aristóteles, com o problema do indivíduo-homem. Isto não constituirá, todavia, um obstáculo para pensar os homens como os seres superiores na hierarquia do mundo material e com tarefas de conhecimento e tarefas morais advindas da inteligência, que os tornava participantes, em certa medida, dos seres puramente espirituais.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

- ARISTÓTELES. Metafísica. Trad. Leonel Vallandro. Porto Alegre: Globo, 1969.

- GILSON. Ettiénne. O ser e a essência.

- ZINGANO Marco. Sobre a Metafísica de Aristóteles. Odysseus - CNPQ

- MEINONG, Alexius. Sobre a teoria do objeto**.** In: BRAIDA, Celso R*. Três Abertuas em* ****Ontologia: Frege, Twardowski e Meinong. Florianópolis: Rocca Brayde, 2005. p. 91-145.

A teoria dos objetos de Meinong

Alexius Meinong (1853 -- 1920) foi um filósofo austríaco conhecido ela sua Teoria de Objetos. A metafísica tradicional apenas deu atenção aos objetos "reais", efetivos, e acabou esquecendo-se de outras categorias de objetos. Meinong afirma que a, metafísica lida com a totalidade do que existe. Mas, a totalidade do que existe, é infinitamente pequena em relação à totalidade dos objetos de conhecimento.